BA25 - Agriterra

ANÁLISE | PEQUENOS FRUTOS 68 BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO DA ÁGUA A produção sustentável de pequenos frutos deve basear-se em boas práticas de gestão da água com uma correta monitorização e contínuo ajuste da rega através de programadores que afinam a rega em função dos dados de sensores de humidade, temperatura e registo do défice de pressão de vapor. A leitura da condutividade do substrato e do valor das drenagens tem que ser realizada diariamente de preferência duas vezes ao dia. Os planos de fertilização são de extrema importância, normalmente 'segredo' de cada exploração agrícola, mas as estratégias de (ferti)rega têm que ter em conta as necessidades de nutrição da cultura, gestão da solução nutritiva ao longo do ciclo produtivo (fenologia) bem como da qualidade inicial da água de rega. Muito importante para a sustentabilidade ambiental é a redução da fração de drenagem sendo de privilegiar a utilização de circuitos fechados com reutilização de drenados. Nos dois últimos anos foram realizados estudos de redução de rega no Centro de Investigação para a Sustentabilidade (CIS), uma parceria do INIAV com a Lusomorango, Maravilha Farms e Driscolls, em que foi possível demonstrar que as plantas da variedade Driscoll’s Reyna tiveram um desenvolvimento normal com uma redução de 25% no volume de rega, apresentaram a melhor qualidade dos frutos sem perda de calibre e sem diferenças da produtividade comercializável em relação ao tratamento de rega controlo (Pinto, 2024). Diversos autores referem as necessidades em água para as framboesas em 4 mil m3 por hectare, mas este valor é muito variável com a tecnologia de produção utilizada. Assim, este valor pode ser aproximado para uma produção em lançamentos do ano em que é necessário “fazer crescer” a planta até á fase produtiva, já a produção no sistema long-cane utilizará metade desse valor uma vez que o lançamento já se encontra totalmente formado e apenas é necessário o alongamento dos laterais e a frutificação. Nos ensaios realizados em Odemira foi possível reduzir, na produção em lançamentos do ano, esse valor para cerca de 3000 m3/ha sem perdas de produção e qualidade. Estimando uma produção de 20 toneladas por hectare podemos estimar as necessidades da framboesa em 150L por kilo de fruta produzida, valores semelhantes ao de outros estudos. Se na produção de framboesas os resultados obtidos nos diversos ensaios são relativamente constantes, no caso da produção de mirtilos as discrepâncias são enormes. As diferenças devem-se fundamentalmente às condições de ensaio podendo variar de 1500 a 9 mil m3/ha quando a cultura é efetuada em substrato ou no solo. Oliveira e Silva (2016; 2017) efetuaram um ensaio de produção de mirtilos em substrato, durante quatro Figura 2 - Produção de morango em substrato (Foto: Pedro B. oliveira, INIAV). Figura 3 - Produção de framboesa em substrato (Foto: Pedro B. oliveira, INIAV). Figura 4 - Representação esquemática das épocas de produção dos diferentes tipos de mirtilo produzidos na região Norte e Sul de Portugal.

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