BA25 - Agriterra

ANÁLISE | PEQUENOS FRUTOS 67 A região do Mira tem atravessado um período de escassez hídrica que levou nos últimos anos a uma restrição do fornecimento de água por parte da Associação de Beneficiários do Mira. No entanto, os produtores têm conseguido reduzir os consumos de água, uma vez que a produção em substrato permite o seu uso eficiente, sendo uma resposta eficaz à escassez hídrica. Atualmente é possível estimar que 80% da área de produção de framboesa e mirtilo na região do Mira é realizada em substrato. HIDROPONIA E PRODUÇÃO DE PEQUENOS FRUTOS A Hidroponia pode ser definida como a prática de fazer crescer plantas numa solução nutritiva com ou sem um substrato que as suporte. Divide-se hidroponia em dois tipos: produção em solução nutritiva e produção em substrato. Existem várias técnicas de produção em solução nutritiva, desde a NFT (nutrient film technique), em que as plantas crescem num filme fino de solução nutritiva, DWC (deep water culture), em que as plantas flutuam na solução nutritiva e aeroponia, em que as raízes das plantas ficam suspensas no ar. Já a produção em substrato é efetuada num número grande de meios sólidos que permitem o correto desenvolvimento das raízes. Estes meios sólidos podem ser lã de rocha, turfas, areia, perlite, vermiculite, casca de arroz, fibra de coco, etc. No caso dos pequenos frutos utilizam-se misturas de diversos compostos vegetais ou apenas fibra de coco (Oliveira et al., 2016; Palha et al.2012, Parente et al., 2013; Pinto et al., 2017). As tecnologias de produção de framboesa e mirtilo encontram-se bem definidas em Oliveira (2021a, 2021b). A produção de framboesas pode ser realizada em lançamentos do ano com cultivares remontantes e em lançamentos de segundo ano com cultivares não remontantes. Durante mais de dez anos (1990-2000) foram realizados ensaios de datas e intensidades de corte dos lançamentos do ano para produção tardia e ensaios de quebra de dormência com frio artificial para a produção antecipada, pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), em Odemira. Surgiram, assim, as diferentes técnicas hoje aplicadas em todo o mundo. Com o início da produção em substrato toda a manipulação do ciclo vegetativo das plantas ficou mais facilitada, permitindo o transporte das plantas para as câmaras frigoríficas e posterior plantação, dando origem à técnica hoje denominada por produção em long-cane (Figura 1 e 2). A produção de mirtilos pratica-se maioritariamente no solo, mas o cultivo em substrato tem aumentado em todo o país, fundamentalmente devido à facilidade na obtenção de melhores condições de crescimento que este proporciona às plantas de mirtilo uma vez que as plantas de mirtilo possuem um sistema radicular muito denso e superficial, com raízes muito finas, sensíveis ao encharcamento e à falta de água. Ao contrário do que se verifica com a produção de framboesas em Portugal, a produção de mirtilos é marcadamente sazonal, não sendo ainda possível produzir durante todo o ano. A produção temporã de mirtilos baseia-se fundamentalmente nas cultivares de mirtilo sem ou com baixas necessidades em frio (mirtilos do tipo Southern Highbush) e a produção a partir do mês de junho baseia-se em cultivares com médias necessidades em frio, (mirtilos do tipo Northern Highbush e Rabbiteye) (Figura 4 e 5). O substrato mais utilizado na produção de framboesa e mirtilo é a fibra de coco, mas pode variar de acordo com o aconselhamento técnico das explorações. Em ensaios realizados no INIAV foram obtidos excelentes resultados com uma mistura de fibra de coco, casca de pinheiro e perlite, em que ao segundo ano se obtiveram produções médias de 1,4 Kg por planta (Pinto et al., 2017). É hoje aceite que a utilização de substratos na produção de pequenos frutos é muito vantajosa uma vez que permite a otimização da água de rega, otimização no controlo nutricional das plantas com obtenção de uma maior eficiência produtiva permitindo a mitigação de riscos ambientais. Figura 1 – Representação esquemática das diferentes técnicas de produção de framboesas com lançamentos do ano e de segundo ano.

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