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62 TENDÊNCIAS NA INDÚSTRIA O início de 2026 encontra o tecido industrial europeu num momento de estabilização frágil, após vários anos de choques sucessivos – pandemia, inflação elevada, conflitos geopolíticos e disrupções logísticas. Embora os indicadores macroeconómicos apontem para alguma normalização, subsistem condicionantes estruturais que limitam o crescimento e impõem maior rigor nas decisões de investimento. Neste contexto, temas como sustentabilidade, digitalização, reorganização das cadeias de abastecimento e governação tecnológica deixam de ser abordagens prospetivas e passam a integrar o núcleo da estratégia empresarial. CRESCIMENTO CONTIDO E INCERTEZA ESTRUTURAL As perspetivas para a economia global em 2026 apontam para um crescimento moderado. De acordo com o mais recente relatório da Crédito y Caución, o PIB mundial deverá crescer cerca de 2,6%, refletindo um abrandamento, ainda que com uma recuperação ligeira projetada para 2027. Na Zona Euro, a recuperação deverá situar-se em torno dos 0,9%, penalizada pela lenta retoma industrial e pelos efeitos prolongados das tensões comerciais. Ainda assim, países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia deverão beneficiar do dinamismo do setor dos serviços – em particular turismo, logística e serviços técnicos – com impacto indireto sobre a atividade industrial, quer através da procura interna, quer pelo estímulo ao investimento e à modernização de infraestruturas. Para a indústria, este enquadramento traduz-se num ambiente mais seletivo, marcado por maior rigor no acesso ao financiamento e pressão sobre margens, exigindo foco na eficiência operacional e na diferenciação. COMÉRCIO INTERNACIONAL: DESACELERAÇÃO E RECONFIGURAÇÃO Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que as empresas exportadoras nacionais perspetivam um aumento nominal de 5,1% nas exportações de bens em 2026, com destaque para as exportações de máquinas e outros bens de capital, que deverão crescer 12,2%. A redução da procura global de contentores e a descida dos custos de transporte aliviam algumas pressões conjunturais, mas não eliminam riscos estruturais, nomeadamente a dependência de matérias-primas críticas e a volatilidade dos preços da energia, que continuam a condicionar setores industriais intensivos em capital e exportação. Neste cenário, ganham relevância estratégias de diversificação de forTendências económicas para 2026: um ano de transformação e resiliência industrial Entre um crescimento económico moderado, cadeias de valor sob pressão e uma aceleração tecnológica sem precedentes, 2026 afirma-se como um ano de decisões críticas para a indústria. Mais do que antecipar cenários, as empresas são chamadas a transformar tendências estruturais em vantagem competitiva num contexto marcado por maior seletividade económica. Marta Clemente

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