BA25 - Agriterra

tenção dos postos de trabalho; apoio extraordinário aos trabalhadores independentes; prioridade no acesso às medidas ativas de emprego e um plano extraordinário de qualificação e formação profissional. Justificando o seu apelo de apoios ao restabelecimento do potencial produtivo para fazer face aos prejuízos mais imediatos e para recuperar as explorações agroalimentares, a CNA recordou que os agricultores vão sofrer “avultadas perdas de rendimento” nos próximos meses e anos pela impossibilidade de comercialização da produção destruída ou afetada e, por isso, reclamou uma ajuda excecional a fundo perdido. Conforme apontou, importa ainda assegurar a limpeza e arranjo de caminhos de acesso a campos, instalações elétricas, valas e canais de rega. “Os agricultores, que já se encontram numa situação de fragilidade, com elevados custos de produção e perdas de rendimentos acumuladas, devido aos baixos preços pagos à produção, não podem suportar mais esta contrariedade”, sublinhou a confederação, acrescentando que são necessários seguros agrícolas públicos adequados ao setor. A região centro do país foi a mais afetada e o primeiro-ministro, Luís Montenegro anunciou a criação de uma Estrutura de Missão para a Reconstrução da região, com sede em Leiria, responsável pela coordenação dos apoios às populações, empresas e atividades económicas afetadas. Classificada pelo IPMA como ‘ciclogénese explosiva’, a depressão Kristin já havia colocado 60 concelhos em situação de calamidade. Devido à permanência de chuva forte com possibilidade de cheias, o governo decretou que esta declaração (o nível máximo de intervenção previsto na Lei de Bases da Proteção Civil) se alargou a mais nove concelhos. EDITORIAL O ano agrícola nacional arrancou da pior forma possível, com as violentas tempestades e cheias que assolaram o país a provocarem prejuízos de muitos milhões de euros em centenas de explorações agrícolas, devido à destruição de culturas, equipamentos e infraestruturas. Numa altura em que os agricultores recuperam ainda dos incêndios de 2025, que também devastaram instalações agrícolas e milhares de hectares de área florestal, a reconstrução profunda a que as tempestades obrigam – e para a qual os apoios diretos e imediatos disponibilizados pelo Governo se revelam manifestamente insuficientes, segundo a grande maioria das entidades representativas do setor -, vem agravar de forma preocupante os muitos desafios que já se avizinhavam para o setor, com destaque para as novas regras da PAC, com a esperada renacionalização dos fundos e a previsível redução orçamental em 20%. Na primeira edição de 2026 da Agriterra, apresentamos, em exclusivo, uma Grande Reportagem com a perspetiva dos dirigentes máximos das principais confederações e associações setoriais sobre a atual conjuntura na agricultura e os grandes reptos que só a resiliência, capacidade de adaptação e muito trabalho dos produtores no terreno poderão transformar em oportunidades neste ano agrícola. A não perder, as opiniões da CAP, CONFAGRI, FENAREG, COTR, AJAP, ANPROMIS, CEPAAL, Lusomorango, ISA e Agroges. Também em destaque neste número, o balanço da FIMA 2026, Feira Internacional de Maquinaria Agrícola que levou a Saragoça, em Espanha, perto de 188 mil visitantes e mais de 1.200 marcas expositoras de 35 países. A Agriterra foi Media Partner do evento e revela-lhe como inovação, sustentabilidade e renovação generacional são as premissas para a competitividade do setor. Por cá, associamo-nos, como habitualmente, ao Encontro Nacional de Produtores de Mirtilo, que leva a Inteligência Artificial em contexto agrícola a debate entre os produtores que acorrem ao evento em Santarém, nos dias 12 e 13 de março; e à AGRO BRAGA que, nesta edição que terá lugar de 26 a 29 de março, aposta na internacionalização. De leitura obrigatória é a Grande Entrevista com Gonçalo Amorim, CEO da BGI, que discorre da biotecnologia à autonomia alimentar, passando pela resiliência dos sistemas agrícolas, economia circular, agricultura regenerativa, dependência nos fatores de produção e papel da inovação e do empreendedorismo (incluindo no feminino) no agroalimentar. Não perca ainda os dossiers dedicados ao cultivo do olival e à agricultura digital que preparámos para si. Boa leitura. Ano agrícola desafiante exige resiliência e muito trabalho

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