37 CULTIVO: OLIVAL | ANÁLISE taram o território nacional no final de janeiro e início de fevereiro, incluindo a depressão Kristin, são mais um sinal de que os fenómenos extremos tendem a intensificar-se. Nesta fase, é prematuro quantificar os impactos no olival, aguardando-se a conclusão dos levantamentos em curso nas zonas mais afetadas. A oliveira mantém, ainda assim, uma notável plasticidade ecológica. A sua adaptação às condições edafoclimáticas nacionais, aliada ao investimento realizado nas últimas décadas em sistemas de rega eficientes, mecanização e gestão técnica de precisão, reforça a capacidade das explorações. A resiliência, porém, exige estratégia: gestão criteriosa da água, conservação do solo, inovação varietal e recurso crescente a ferramentas digitais de monitorização. PAC E ENQUADRAMENTO EUROPEU: ESTABILIDADE E COMPETITIVIDADE No plano estrutural, 2026 será igualmente marcado pela evolução da Política Agrícola Comum (PAC). O setor necessita de previsibilidade regulatória que assegure estabilidade aos investimentos de médio e longo prazo, particularmente num sistema produtivo que combina olival tradicional, em copa e sebe. É essencial que a PAC continue a promover a competitividade e a sustentabilidade, mas com equilíbrio. As exigências ambientais devem ser acompanhadas de instrumentos que garantam a viabilidade económica das explorações. A transição para modelos produtivos cada vez mais eficientes em termos de uso de recursos, redução de emissões e preservação da biodiversidade só será plenamente conseguida se existir coerência entre ambição ambiental e realidade económica. UE-MERCOSUL: ABERTURA COM RECIPROCIDADE A evolução do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderá representar uma oportunidade de reforço das exportações e de diversificação de mercados para o azeite português. Contudo, é fundamental assegurar que os produtores europeus possam competir com operadores de fora da Europa em condições equivalentes, cumprindo todos os intervenientes as mesmas exigências de qualidade e as mesmas normas ambientais, fitossanitárias e laborais. A defesa da reciprocidade não é protecionismo, é uma condição básica para preservar a sustentabilidade económica e social do setor. PERSPETIVAS PARA 2026: INVESTIMENTO, INOVAÇÃO E VALORIZAÇÃO COM O PSA O balanço da campanha 2025/2026 confirma que o setor olivícola nacional mantém uma base sólida. Apesar da ligeira quebra produtiva, os resultados ficaram alinhados com as previsões iniciais, e a qualidade manteve-se como marca distintiva. Para 2026, as perspetivas assentam, de forma muito clara, na valorização do azeite português através da sustentabilidade certificada. Neste contexto, assume particular relevância o PSA - Programa de Sustentabilidade do Azeite, desenvolvido pela OLIVUM, cuja primeira certificação foi atribuída no final de 2025. O Selo PSA, já presente no mercado, permite identificar azeites produzidos segundo rigorosos critérios ambientais, sociais e económicos, abrangendo toda a cadeia de valor, do olival ao lagar, passando pelo embalamento até à garrafa. Trata-se de uma certificação pioneira à escala internacional, estruturada desde 2022, que consolida Portugal como referência global na sustentabilidade oleícola. Mais do que um instrumento de comunicação, o PSA constitui uma ferramenta estratégica de criação de valor acrescentado, com o objetivo de impulsionar as boas práticas e garantir a sustentabilidade do setor. Num mercado onde o consumidor está cada vez mais atento à origem, à rastreabilidade e às práticas produtivas, a certificação reforça a credibilidade do setor e diferencia positivamente o azeite português. A atribuição do primeiro selo marcou o início de uma nova etapa, estando já vários produtores em processo de certificação, o que antecipa uma expansão progressiva da sua presença no mercado. A sustentabilidade deixa, assim, de ser apenas um requisito regulatório para se afirmar como fator de competitividade e de posicionamento internacional. O olival português tem hoje a oportunidade de associar, de forma inequívoca, qualidade e responsabilidade, transformando essa associação num ativo económico. Num ambiente global marcado por incerteza climática, transformações regulatórias e novas dinâmicas comerciais, o setor demonstra estar preparado para enfrentar 2026 com confiança. A resiliência evidenciada em 2025 resulta de investimento, profissionalização e visão estratégica. O desafio agora é consolidar essa trajetória, aprofundando a inovação, reforçando a competitividade e afirmando o PSA como símbolo de um azeite português sustentável, credível e valorizado nos mercados nacionais e internacionais. n A resiliência da oliveira exige estratégia: gestão criteriosa da água, conservação do solo, inovação varietal e recurso crescente a ferramentas digitais de monitorização
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