ENTREVISTA 29 Destacou-se a importância da viticultura de precisão, da gestão racional dos recursos hídricos, da monitorização contínua das vinhas e da adoção de tecnologias digitais que permitam decisões mais informadas e antecipadas. Paralelamente, ficou claro que a modernização da fileira não se faz apenas com tecnologia, mas também com capacitação técnica, transferência de conhecimento e maior articulação entre produtores, centros de investigação e empresas. Outro aspeto relevante foi a crescente preocupação com a adaptação às alterações climáticas, não apenas como resposta defensiva, mas como oportunidade para repensar modelos produtivos, castas, práticas culturais e estratégias de valorização do território. A feira apresentou uma forte aposta na revolução tecnológica sustentável, viticultura de precisão, digitalização, economia circular, valorização das castas autóctones e biodiversidade, nomeadamente através da participação do consórcio Vine & Wine Portugal. De que forma estas tendências, e esta iniciativa, em particular, podem transformar o tratamento da vinha e a produção de vinho nos próximos anos? Estas tendências têm um potencial transformador profundo, porque introduzem uma abordagem mais integrada, científica e orientada por dados à gestão da vinha e à produção de vinho. A combinação entre viticultura de precisão, digitalização e sustentabilidade permite uma utilização mais eficiente dos fatores de produção, reduzindo custos, impactos ambientais e riscos associados à variabilidade climática. A iniciativa Vine & Wine Portugal, em particular, evidencia a importância do trabalho colaborativo e da inovação aplicada, ao promover soluções que cruzam conhecimento científico, tecnologia e prática no terreno. Este tipo de consórcios contribui para acelerar a adoção de boas práticas, testar soluções em contexto real e disseminar resultados junto do setor produtivo. A médio prazo, estas abordagens poderão conduzir a vinhas mais resilientes, a processos produtivos mais previsíveis e sustentáveis e a vinhos com maior consistência de qualidade, reforçando simultaneamente a valorização das castas autóctones, da biodiversidade e da identidade dos territórios vitivinícolas. Que novidades e tendências mereceram maior destaque por parte dos expositores, em particular no que diz respeito à modernização dos processos produtivos do vinho? Entre as novidades em destaque estiveram os equipamentos inteligentes para monitorização da vinha, soluções de sensorização e plataformas digitais de apoio à decisão, bem como tecnologias associadas à automação e à eficiência energética nas adegas. Também mereceram atenção os novos produtos enológicos orientados para processos mais naturais e sustentáveis, com menor intervenção química. No domínio da rega, destacaram-se sistemas mais eficientes e adaptativos, capazes de responder em tempo real às necessidades hídricas da vinha, contribuindo para uma gestão mais racional da água. De um modo geral, os expositores evidenciaram uma clara orientação para soluções que combinam inovação tecnológica, redução da pegada ambiental e melhoria da produtividade e da qualidade final do vinho. Para além da exposição, o evento integrou workshops, dinâmicas, pitches e momentos de reflexão técnica. Que mais-valia trouxeram estas iniciativas paralelas à feira? Estas iniciativas paralelas foram fundamentais para reforçar o carácter técnico e formativo da Enotécnica & Olitécnica. Os workshops e momentos de reflexão permitiram aprofundar temas críticos para o setor, promover a partilha de experiências e aproximar o conhecimento científico da realidade empresarial e produtiva. Os pitches e dinâmicas de networking criaram oportunidades concretas de contacto entre empresas, produtores, startups e entidades de investigação, estimulando parcerias e projetos colaborativos. Este cruzamento entre exposição comercial e conteúdo técnico é um dos fatores distintivos do evento e um contributo decisivo para a criação de uma comunidade profissional mais informada, conectada e preparada para os desafios futuros. Tendo em conta os temas debatidos, quais considera serem hoje os principais desafios e oportunidades para a competitividade do setor do vinho? Os principais desafios passam pela adaptação às alterações climáticas, pela pressão crescente dos custos de produção, pelas exigências dos mercados internacionais em matéria de sustentabilidade e rastreabilidade e pela necessidade de atrair investimento e talento para o setor. A fragmentação da produção e a dimensão média das explorações continuam também a colocar desafios à escala e à capacidade de inovação. Por outro lado, existem oportunidades claras associadas à valorização da diferenciação, das castas autóctones, da sustentabilidade e da qualidade reconhecida dos vinhos portugueses. A inovação tecnológica, a digitalização e a economia circular oferecem instrumentos concretos para reforçar a eficiência e a competitividade. O que ficou bem patente na Enotécnica & Olitécnica é que o futuro do setor do vinho dependerá cada vez mais da capacidade de integrar conhecimento, tecnologia e estratégia, mantendo uma forte ligação ao território e à identidade que distinguem Portugal nos mercados globais. n
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