ENTREVISTA 28 PAULO VAZ, MEMBRO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA EXPONOR “A viticultura portuguesa está num momento de transição estrutural” Gabriela Costa A sustentabilidade na viticultura “deixou de ser apenas uma opção ou um elemento de diferenciação para se tornar um requisito central da competitividade”. Num ambiente marcadamente profissional e orientado para a criação de valor, o debate dinamizado na Enotécnica 2026 evidenciou “um consenso alargado quanto à necessidade de integrar práticas agrícolas mais eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis, sem comprometer a qualidade e a identidade dos vinhos”, como sublinha, em entrevista, Paulo Vaz. Que balanço faz da recente edição da Enotécnica & Olitécnica, realizada na Exponor (Porto), em termos de adesão dos profissionais, dinâmica do certame e impacto para os setores do vinho e do azeite? O balanço desta edição é claramente positivo, quer ao nível da adesão dos profissionais, quer na dinâmica gerada ao longo dos dias do certame. A feira voltou a afirmar-se como um ponto de encontro privilegiado das fileiras do vinho e do azeite, reunindo produtores, técnicos, investigadores, empresas de tecnologia, fornecedores de equipamentos e entidades institucionais, num ambiente marcadamente profissional e orientado para a criação de valor. Verificou-se uma forte presença de decisores e quadros técnicos, o que reforça a relevância da feira enquanto plataforma de negócio, de atualização tecnológica e de reflexão estratégica. A dinâmica do certame foi particularmente intensa, com elevada participação nas atividades paralelas e um interesse evidente pelas soluções apresentadas, tanto ao nível da produção primária como da transformação e da eficiência industrial. Em termos de impacto, a Enotécnica & Olitécnica consolidou o seu papel como catalisador da modernização dos setores do vinho e do azeite, promovendo a ligação entre inovação, sustentabilidade e competitividade, num contexto em que estas fileiras enfrentam desafios estruturais significativos, mas também novas oportunidades nos mercados nacionais e internacionais. Que principais conclusões retira dos debates e das soluções apresentadas para a viticultura e a produção de vinho em Portugal, sobretudo ao nível da viticultura sustentável e da modernização da fileira? Uma das principais conclusões é que a viticultura portuguesa está num momento de transição estrutural, em que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma opção ou um elemento de diferenciação para se tornar num requisito central da competitividade. Os debates evidenciaram um consenso alargado quanto à necessidade de integrar práticas agrícolas mais eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis, sem comprometer a qualidade e a identidade dos vinhos.
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx