REPORTAGEM 26 tar”. Este “será, em meu entender, o maior desafio do ano”, afirma Gonçalo Caleia Rodrigues. Contudo, a grande condicionante física e estratégica para 2026 “será a adaptação às alterações climáticas”, alerta. “Após anos de seca, a vulnerabilidade do setor ficou novamente exposta no início do ano com a passagem de depressões severas, como a tempestade Kristin. A longo prazo, o setor terá de assumir o ordenamento do território, a gestão eficiente da água e a adoção de medidas de adaptação e mitigação às alterações climáticas como os alicerces incontornáveis da sua sustentabilidade”, conclui o professor do ISA. AGROGES “Poderá ser um ano com produtividades interessantes para as culturas de primavera/verão” 2025 “foi um ano complicado, com uma primavera particularmente chuvosa, até meados de maio, e um outono/ inverno igualmente muito chuvosos, a partir de meados de outubro”, resume Francisco Gomes da Silva. Nesta conjuntura, a generalidade das culturas anuais de primavera/verão sofreram “quebras muito significativas na produtividade, com os mercados a não ajudarem, pois mantiveram tendências de queda que já vinham de anos anteriores” (caso do milho, do arroz, do tomate para indústria e de muitos outros). Para as culturas permanentes, “as coisas não correram muito melhor. A uma incidência grande de problemas fitossanitários (nomeadamente na generalidade das prunoideas e pomoideas) veio juntar-se uma quebra de vingamento, devido às chuvas intensas na ápoca de floração” (caso muito evidente nas amendoeiras), elucida o sócio gerente da Agroges, acrescentando que, no olival, os preços caíram face aos anos anteriores, mas mantiveram um nível ainda aceitável, tal como a produtividade. Para 2026, e após “um início desastroso tendo em conta a destruição provocada pelo temporal e pelas inundações, está ainda tudo muito em aberto. Se as condições meteorológicas ‘normalizarem’, poderá ser um ano com produtividades interessantes para as culturas de primavera/verão e para as fruteiras, olival e vinha”, prevê. Para os cereais de outono/inverno “será um ano para esquecer, pois muitas áreas nem chegaram a ser semeadas e outras ficaram totalmente alagadas com o excesso de precipitação”, afirma, categórico. Em termos de enquadramento político, “nada se altera: a PAC está em velocidade cruzeiro (assim a AG-PEPAC e o IFAP deem resposta adequada) e o acordo com o Mercosul, tendo sido enviado para o Tribunal europeu, ainda demorará mais de um ano a ser aplicado”, conclui. Finalmente, para muitos agricultores que viram as suas infraestruturas destruídas pelo mau tempo, “o futuro vai depender muito dos mecanismos que o Estado venha a disponibilizar para a sua recuperação”, alerta Francisco Gomes da Silva. n
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