REPORTAGEM 24 prometeram o desenvolvimento das culturas”. A instabilidade meteorológica “voltou a demonstrar a vulnerabilidade da agricultura e da produção de milho face a fenómenos extremos”, lamenta, adiantando que, no final da campanha, “a chuva intensa atrasou colheitas e a tempestade Kristin destruiu o que ainda estava no campo”. Deixando “uma palavra de profunda preocupação e solidariedade para com os agricultores que viram as suas explorações severamente afetadas pelas tempestades de janeiro, que destruíram culturas e infraestruturas”, Jorge Neves sublinha que “é fundamental que haja respostas céleres e eficazes no apoio a estes produtores”. Em 2026, “o setor dos cereais terá de reforçar a sua competitividade e resiliência”. Para tanto, “é essencial aumentar o rendimento dos agricultores, nomeadamente através de pagamentos ligados à produção, conforme previsto na Estratégia + Cereais, criando condições para que produzir cereais em Portugal seja economicamente viável”, defende. Paralelamente, “é decisivo avançar com o projeto ‘Água que Une’, assegurando maior disponibilidade e eficiência no uso da água, um recurso estratégico para a soberania alimentar”. Já no âmbito da nova PAC, “importa salvaguardar os agricultores portugueses, garantindo instrumentos que promovam estabilidade, investimento e sustentabilidade, permitindo ao setor responder aos desafios do mercado e das alterações climáticas”, remata Jorge Neves. CEPAAL - CENTRO DE ESTUDOS E PROMOÇÃO DO AZEITE DO ALENTEJO “Uma PAC robusta focada na produção é também uma arma de defesa” Em relação à campanha de 2025 e início de 2026 do setor oleícola, “a sensação foi agridoce, ou seja, as expectativas eram muito boas e calculava-se que se podia chegar às 200 mil toneladas de azeite produzido, mas houve uma quebra de cerca de 20%, e a expectativa agora é que a produção final se situe “entre as 160 e 170 mil toneladas”, começa por partilhar Manuel Norte Santo. Segundo o presidente do CEPAAL, este recuo foi provocado por “eventos extremos”, destacando-se “um período de calor intenso e a ausência de precipitação“entre os meses de maio e outubro, “o que teve consequências no crescimento e no desenvolvimento do fruto”. Já as chuvas tardias de outubro dificultaram a apanha. As intempéries que vivemos em janeiro “acabaram por ser a ‘gota de água’, pois ainda existia uma quantidade considerável de azeite a ser produzido e foi impossível os produtores irem para o campo fazer a colheita”. Apesar da redução quantitativa, “ao longo de toda a campanha tivemos um fruto muito são e com excelentes condições sanitárias (sem mosca, gafa ou episódios de geadas), ou seja, conseguimos produzir azeite de muita qualidade, com uma grande percentagem de azeite virgem extra", esclarece o responsável. De acordo com Manuel Norte Santo, “a grande questão é agora a nível do preço do azeite”. Esperava-se que a produção espanhola pudesse aliviar os preços, mas a quebra de produção também se verificou no país vizinho, mantendo o mercado “muito sustentado”. O CEPAAL considera que os valores atuais são benéficos para toda a fileira: “o consumidor acaba por conseguir aceder ao produto, porque não está excessivamente caro, o produtor consegue tirar alguma margem de lucro e o embalador também consegue escoar o seu produto”. O novo acordo comercial com o Mercosul é visto com cautela. Embora traga segurança para as exportações para o Brasil — o maior mercado de azeite embalado português — o acordo também abre portas a uma concorrência “muito agressiva“por parte de Itália e Espanha. Perante este cenário, o presidente do CEPAAL defende uma estratégia conjunta sob a ‘marca Portugal’ e a criação urgente de uma organização interprofissional transversal a toda a fileira. ”Este acordo do Mercosul vai fazer com que este assunto seja ainda mais urgente”, acredita. Quanto à revisão da PAC, a preocupação recai sobre a redução orçamental e as exigências burocráticas. “A PAC é uma ferramenta que nos ajuda a ter, a nível europeu, soberania alimentar”. Reduzir este investimento no contexto "As expetativas de preços para 2026 indiciam valores baixos, o que dificulta a sustentabilidade da atividade agrícola” - FENAREG
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