BA25 - Agriterra

REPORTAGEM 22 Por último, Gonçalo Morais Tristão aponta como desafio estratégico nacional a rápida implementação da estratégia ‘Água que Une’, “um projeto estruturante para o desenvolvimento económico do país, que não podemos atrasar”. AJAP – ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS AGRICULTORES DE PORTUGAL "Avizinha-se um ano extremamente complicado” Na opinião de Firmino Cordeiro, o atual Governo enfrenta inúmeras dificuldades na área agrícola, desde logo por ter herdado um ministério “muito fragilizado e desarticulado”, com a perda de competências estruturais, por exemplo na área das florestas (com a saída do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para o Ministério do Ambiente) e de uma parte da DGAV - Direção Geral de Alimentação e Veterinária. “A reorganização tem sido complexa e ainda não está totalmente concluída”, lamenta. O final do atual quadro comunitário, na prática, aconteceu em dezembro de 2025, tal a previsão de falta de meios para 2026 e o vazio que se estende a 2027, no arranque do novo ciclo (2028 – 2034), o que “torna estes dois anos particularmente complicados”. Para o diretor-geral da AJAP, em anteriores governos do PS, “a agricultura perdeu prioridade política, criou divisões internas no ministério e os meios financeiros do PRR ficaram muito aquém das expectativas do setor. Estas situações, infelizmente, tiveram impactos bastante negativos no setor”. O primeiro e o atual Governo de Luís Montenegro, “ao promoverem, na fase inicial, a junção do ministério, assumirem uma postura de maior proximidade em relação ao setor – a par da insistência do Ministro da Agricultura junto de Bruxelas, em vários assuntos, e de algum alívio desencadeado pelo Banco Português de Fomento - abriram uma nova esperança, obviamente com poucos meios, mas com a existência de um diálogo com o setor constante”, o que “é relevante”. Os fenómenos climáticos adversos registados nos últimos meses, “designadamente os incêndios de 2025 e o ‘comboio de tempestades’ ocorridas entre dezembro de 2025 e janeiro/ fevereiro de 2026, tiveram impacto significativo na atividade”. A este contexto acrescem fatores estruturais e políticos “que todos conhecemos: um PEPAC com recursos praticamente esgotados, incertezas quanto à futura PAC e um enquadramento europeu e internacional marcado por elevada instabilidade. Nesta conjuntura, Firmino Cordeiro defende que a maior retenção de água possível a montante em cursos de água pode ter um duplo efeito: “por um lado acaba por mitigar o efeito de cheias e, obviamente, permite disponibilizar mais água para todo o tipo de utilizações, nomeadamente para regadio”. E reafirma que a estratégia ‘Água que Une’ tem efetivamente de ser implementada. “Necessitamos ainda de um modelo de seguros agrícolas mais eficiente, que deve ser ressegurado em parte pela União Europeia, pelo BEI – Banco Europeu de Investimento e pelos Estados-membros. Seguros que, “em nosso entender, sempre que tenham bonificação no prémio deviam ser obrigatórios”, conclui. Acresce que a previsão da PAC para o próximo quadro (2028– 2034), poderá sofrer cortes até 20%, em relação aos valores do quadro que está em vigor. Para além deste facto ser extremamente preocupante para toda a Europa, na perspetiva de Firmino Cordeiro é necessária maior clareza na separação entre os fundos da PAC para a agricultura e os fundos para a coesão, pois a existência de um fundo único, como está proposto, e a eliminação do II Pilar da PAC (destinado ao investimento e ao desenvolvimento rural), vão penalizar e comprometer ainda mais o setor agrícola em Portugal no futuro. ANPROMIS – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PRODUTORES DE MILHO E SORGO “É fundamental que haja respostas céleres e eficazes aos produtores” No setor do milho em Portugal, “2025 foi um ano particularmente exigente para os produtores”, comenta à Agriterra Jorge Neves. Segundo o presidente da ANPROMIS, “registámos uma quebra de produção estimada entre 15% e 20%, resultado da forte incidência do vírus do nanismo, de ataques significativos de javalis e de condições meteorológicas adversas que atrasaram as sementeiras e com-

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