BA25 - Agriterra

REPORTAGEM 21 “Ainda é cedo para contabilizar, mas seguramente vamos ter atrasos nos trabalhos agrícolas e dificuldade em recuperar terrenos inundados ou cobertos por detritos e areias”, com “grandes prejuízos a registar no campo, que podem ascender a dezenas de milhões de euros”. Face a um “grau de destruição nas zonas ribeirinhas que não tem precedentes”, vai ser “um grande desafio para o Governo encontrar verbas para a reconstrução”, a qual “poderá prolongar-se por vários anos”, prevê o presidente da FENAREG, sublinhando: “o setor agrícola necessita de apoio urgente”. Acresce que “as expetativas de preços para 2026 indiciam a manutenção de valores baixos, o que dificulta a sustentabilidade da atividade agrícola”, conclui. COTR – CENTRO DE COMPETÊNCIAS PARA O REGADIO NACIONAL “Os agricultores têm, há muito tempo, grande capacidade de adaptação” No âmbito dos centros de competências, 2025 “foi um ano característico da transição de quadros comunitários”, afirma Gonçalo Morais Tristão. Para estes centros, dependentes de financiamento público, “foi um período de expectativa, e gorada, porque em 2025 não surgiu nada. Mas saiu há poucos dias a portaria e o aviso dos grupos operacionais, para projetos que vão ser financiados”, esclarece o presidente da direção do COTR. Neste contexto, “foi um ano difícil”, em que os centros de competências exerceram as suas atividades “já com alguns constrangimentos, porque os financiamentos acabaram, e estávamos à espera que surgissem novos, o que não aconteceu”. Contudo, “estão agora em cima da mesa as candidaturas aos grupos operacionais, até abril, e estamos a construir essas candidaturas”, reforça o responsável, traçando para 2026 uma perspetiva mais positiva, com condições mínimas para relançar projetos e reduzir a incerteza financeira. Quanto aos principais desafios que afetam todo o setor, Gonçalo Morais Tristão lamenta a violência recente dos fenómenos climáticos e defende que os agricultores são dos primeiros a sentir os impactos das alterações climáticas, “há muito tempo, e com grande capacidade de adaptação”. O desafio “é, cada vez mais, preparação e o setor tem trabalhado muito bem nesse sentido”. Não obstante, “certos fenómenos extremos são difíceis de precaver”, conclui. Sublinhando que estes eventos “devem servir de aprendizagem para preparar o futuro”, o responsável acredita que a agricultura “tem sabido adaptar-se e mitigar as consequências das alterações climáticas, muito com a ajuda das tecnologias”. O COTR trabalha há muitos anos o uso eficiente da água e a escassez de recursos hídricos, procurando aumentar a eficiência produtiva sem necessariamente aumentar o consumo de água. Este caminho “tem produzido resultados muitíssimo positivos e, portanto, a agricultura, com a ajuda deste tipo de organizações, vai continuar a fazer isso em 2026 e no futuro”. Relativamente à PAC, “o horizonte tem nuvens mais negras”, comenta o presidente do COTR. Considerando que o ponto de partida da proposta da CE é “muito mau, por desproteger o setor agrícola”, manifesta preocupação com a eventual redução de verbas e com a dependência do Orçamento do Estado, “o que poderá penalizar países com menor margem financeira, como Portugal”. Ainda que se trate de “um grande desafio”, acredita que o processo negocial nos próximos dois anos “poderá melhorar bastante a proposta final”. Quanto aos acordos comerciais, Gonçalo Morais Tristão assume-se “completamente a favor” dos eminentes acordos com o Mercosul e com a Índia, argumentando que, face ao fecho crescente do mercado norte-americano (o nosso mercado principal), a União Europeia deve “tentar construir mercados noutras regiões”. Perante a necessidade de proteger determinadas produções europeias, “sabemos que há cláusulas de salvaguarda, quotas e mecanismos de compensação”. O dirigente concorda que a regulamentação europeia “é particularmente exigente em matéria ambiental e sanitária, o que pode criar desequilíbrios concorrenciais”, mas defende que esses riscos podem e devem ser mitigados pelas cláusulas dos próprios acordos. "Defender a equidade nas regras do comércio internacional será, em 2026, uma prioridade incontornável" - CONFAGRI

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