A New Holland e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) lançaram, em Évora, a Academia New Holland by IEFP, um projeto-piloto que arrancou com 14 formandos e um plano de formação que combina 500 horas teórico-práticas com 210 horas em contexto de trabalho. A iniciativa visa reforçar a qualificação técnica e dar resposta à escassez de profissionais no setor da mecanização agrícola em Portugal.
A New Holland e o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) lançaram, em Évora, a Academia New Holland by IEFP, um projeto-piloto inovador que se enquadra num contexto em que o setor enfrenta grandes dificuldades estruturais no recrutamento. “Há zonas em que só encontramos para recrutar pessoas praticamente sem bases, sem qualquer formação técnica”, referiu João Pedro Rego, delegado de serviço da New Holland em Portugal, sublinhando uma realidade que condiciona a capacidade de resposta das oficinas e a integração de novos técnicos.
Mais do que uma ação formativa, a Academia foi desenhada para dar resposta direta a essa lacuna. “O objetivo é fornecer as bases essenciais para que os técnicos sejam mais produtivos quando entram ou regressam a uma concessão”, acrescentou João Pedro Rego.
O programa abrange áreas como mecânica, eletricidade, eletrónica, hidráulica, motores, sistemas de tratamento de gases de escape e até condução de máquinas agrícolas, integrando uma forte componente prática com recurso a equipamentos reais e a conteúdos específicos da marca New Holland.
A evolução tecnológica das máquinas e a pressão sobre os concessionários vieram alterar o modelo tradicional de formação dentro das empresas. “Hoje, um técnico que entre ao trabalho tem de ser produtivo no dia a seguir. Já não há tempo para formar durante dois ou três anos dentro das empresas”, sublinhou João Pedro Rego.
Para a New Holland, esta parceria representa também uma aposta de continuidade. Agusti Garcia, responsável ibérico da formação técnica, destacou que “o acordo com o IEFP de Évora permite criar uma base de novos técnicos com uma formação de base sólida, capazes de entrar na rede e evoluir num setor que exige uma aprendizagem constante”.
A qualificação técnica está diretamente ligada à qualidade do serviço prestado ao cliente. “Um trator é uma máquina de trabalho e quando está parado a nossa resposta tem de ser rápida e satisfatória para o cliente”, afirmou Miguel Espogeiro, diretor comercial da New Holland em Portugal, para quem este projeto representa “uma iniciativa pioneira, com ambição de continuidade e um forte impacto na rede. Os nossos concessionários olham para esta Academia como um investimento no futuro do setor”.
Do lado do IEFP, José Francisco Costa, diretor de Serviços de Emprego e Formação Profissional da Delegação Regional do Alentejo, sublinhou “a importância deste tipo de colaboração entre entidades públicas e empresas, defendendo que a evolução da agricultura e da mecanização exige profissionais com competências cada vez mais tecnológicas”.
Já Paula Caeiro, diretora do Centro de Emprego e Formação Profissional de Évora, classificou a iniciativa como pioneira na área da mecanização agrícola, tendo sida desenvolvida em conjunto com a empresa para responder a necessidades concretas do mercado.
O potencial de atração da Academia mede-se também pelo olhar dos próprios formandos. Carlos Maltês, de 21 anos, já trabalha num concessionário New Holland e vê nesta oportunidade uma forma de reforçar competências. “É uma área com futuro e com emprego garantido”, resumiu.
Para Gabriela Murta, única mulher entre os 14 formandos, a Academia representa uma forma de alargar os conhecimentos numa área em rápida evolução. A responsável resume o seu objetivo de forma simples: “o meu foco é a agricultura de precisão e a mecanização agrícola é uma componente essencial desta área, especialmente numa marca com o know-how tecnológico da New Holland”.


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