Entrevista a Elisa Abreu, responsável de comunicação do GoFar Tour
Os robôs agrícolas estiveram em destaque no John Deere Innovation Center, no passado dia 15 de abril, no âmbito do GoFar Tour, um programa internacional de demonstrações no terreno que passou por Espanha com um formato ágil, adaptado às culturas, aos desafios e aos ecossistemas locais.
A ideia partiu de uma constatação simples: a tecnologia evolui a um ritmo tal que um único evento anual já não é suficiente – nem para nós, nem para a indústria, nem, sobretudo, para os agricultores. A FIRA foi e continuará a ser o nosso momento de referência, mas sentimos que o ecossistema precisava de mais pontos de contacto ao longo do ano. Agricultores, startups e distribuidores não esperam por um único evento para tomar decisões. Por isso, quisemos estar presentes onde estão, no momento certo.
Mas não se trata apenas de frequência – trata-se também de estar nos mercados certos. Identificámos regiões onde a necessidade de automatização é real e crescente e onde existe um verdadeiro potencial de negócio para os fabricantes. Este Tour é, na prática, uma extensão do trabalho que desenvolvemos com a FIRA, mas mais próxima do terreno e das oportunidades.
Além disso, Espanha era uma paragem obrigatória. Com mais de 17 milhões de hectares de área agrícola, sistemas de cultivo altamente diversificados – vinhas, olivais, citrinos, amendoais e hortícolas – e agricultores verdadeiramente empenhados em perceber como a automatização pode responder às suas necessidades, trata-se de um mercado com procura real e urgente. Queríamos fazer parte dessa dinâmica.
No que diz respeito aos equipamentos, contámos com uma lista sólida de participantes: a John Deere apresentou três máquinas, incluindo o robô Guss, o trator e-Smart e o sistema de pulverização Smart Apply. Estiveram também presentes robôs de empresas como Naïo, Pek Automotive, Sabi Agri, Kioti, Mula, Agrikola.ai, MQ Autonomous Agriculture, entre outras. O programa de demonstrações ao vivo em Madrid foi particularmente relevante.
É uma oportunidade para perceber para onde evolui a agricultura e para participar ativamente nessa transformação. Introduzimos também o conceito de Robot Parade: uma espécie de ‘desfile’ de robôs em funcionamento, lado a lado – uma forma prática e comparativa de observar as diferentes soluções no terreno.
A Universidade de Madrid contou com um espaço próprio, onde apresentou projetos de investigação e soluções emergentes. Estiveram igualmente presentes organizações de produtores, como a Pink Lady e a Hortifruit, bem como entidades e associações como a CAMPAG, a FEMAC e a Datagri – patrocinadora do evento – e órgãos de comunicação social como a Interempresas. Foi um programa denso, com atividades diversificadas e conteúdos relevantes para diferentes perfis do setor agrícola.
Há várias tendências que estamos a acompanhar de perto. Do ponto de vista tecnológico, a inteligência artificial é o principal fator de aceleração, transformando a forma como as máquinas percecionam o ambiente, tomam decisões e se adaptam em tempo real – e o ritmo de evolução é significativo.
A nível regulatório, a autonomia total no campo constitui a próxima grande etapa. As máquinas estão prontas, ou quase, mas os enquadramentos legais ainda não acompanham essa evolução. A forma como os reguladores responderem a este desafio será determinante para o crescimento do setor.
Há também áreas específicas que merecem atenção, como a rega. As alterações climáticas, as restrições ambientais e a necessidade de uma gestão mais eficiente da água estão a impulsionar a procura por soluções inovadoras neste domínio.
Por último, a gestão de dados assume um papel cada vez mais central. Os robôs deixaram de ser apenas máquinas: estão a evoluir para plataformas de recolha de dados agronómicos. Esses dados integram-se, cada vez mais, com sistemas de gestão de explorações agrícolas e soluções ERP, permitindo uma agricultura verdadeiramente orientada por dados. A integração entre robótica de campo e software de gestão será uma das áreas-chave nos próximos anos.
Acima de tudo, é um espaço onde se ouvem os utilizadores: profissionais que já trabalham com estas tecnologias no dia a dia e que partilham, de forma clara, o que resulta, o que não resulta e que valor acrescentado estas soluções podem trazer. É uma oportunidade para gerar ideias, estabelecer contactos e identificar novas oportunidades de negócio.


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